Quase

Eu tenho quase 30… pareço ter uns 20 e poucos, o que é uma vantagem mas é também uma desvantagem afinal não tenho 20 e poucos, tenho quase 30.

As  pessoas se surpreendem quando comento que já fiz uma faculdade… “nossa, não parece que você é mais velha”. É, não parece mesmo, mas eu sou e eu me sinto assim, às vezes deslocada, às vezes inadequada. Faz parte das escolhas da vida. Eu poderia ter escolhido continuar trabalhando, vivendo dos Recursos Humanos do mundo corporativo, por onde comecei a trilhar minha pseudo carreira profissional… eu teria mais dinheiro, estaria na academia, compraria meus cremes e hidrantes caros que um dia eu consegui comprar com o dinheiro suado das horas perdidas na frente do computador. Eu podia estar rodeada de quase 30s, estar perto dos meus amigos, da minha família. Mas eu escolhi ficar longe, escolhi sair da cidade grande e vencer na cidade pequena. Escolhi a lógica inversa. Escolhi ficar longe da família, dos meus pais, meus avós, meus tios, minhas primas. E quando as pessoas me conhecem e ficam sabendo da minha história, elas me falam “Nossa, te admiro demais, quanta coragem você teve, não é pra qualquer um começar do zero.”. Não é mesmo. Não é uma decisão fácil… todos os dias eu refaço essa escolha, revisito os meus medos e as minhas angústias. Acordo, levanto numa cidade estranha, com ares estranhos e passo o dia longe das pessoas que eu mais amo na vida. Nesses momentos, eu me sinto com quase 20 e me camuflo muito bem. Tenho medo do futuro incerto e raiva de tudo o que eu quero fazer e não posso. Tento exercitar minha paciência escondida na rebeldia repentina do choro incontido, do sorriso não dado, do olhar desviado. Na verdade sinto muita falta dos meus 20 e poucos…da descoberta da vida, das horas perdidas nas gargalhadas dos melhores amigos. Nas vodkas bebidas e segredos trocados. Sinto falta dos amigos que ficaram pelo caminho e tomaram outros rumos… eu teria trazido todos comigo, se eu pudesse. Sinto saudade do truco no meio da tarde, das baladas do meio da semana, da primeira república e das irmãs que a vida me deu.

Sim, eu sou dessas que vive relembrando o passado, que chora por qualquer bobagem, principalmente em dias como esses… dias em que a saudade sufoca e nada preenche. Dias longos que exalam sentimentalismo, o sonho parece perdido e nada justifica tanta privação. Eu sou dessas quase 30 que queria ter quase 20 pra fazer tudo diferente…

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