Empatia egoísta

Eu me apego muito às pessoas. Me preocupo muito com o que elas vão sentir, o que elas vão pensar… Na grande maioria das vezes eu prefiro sacrificar os meus desejos e vontades e prol do outro, pra que ele se satisfaça em vez de mim. Acho que esse é um dos principais fatores que me fizeram querer ser médica, conseguir me colocar no lugar do outro e me preocupar mais com ele do que comigo mesma. Sem falsa modéstia, a empatia  é, de fato, meu ponto forte. E isso é muito bom nos dias de hoje, nos quais o egoísmo reina indubitavelmente. Seria melhor ainda se fosse recíproco…. E é aí que mora o perigo. Na grande esmagadora maioria das vezes, não é e por isso eu sofro. A minha empatia é uma cilada e isso tem ficado mais nítido pra mim com o passar dos dias. Eu dou, mas não recebo de volta. Eu me preocupo mas quem se importa comigo? Eu quero conversar, saber…mas as pessoas passam reto. Um aceno com a cabeça e um tchauzinho de leve não são suficientes pra mim.

Eu gosto de compartilhar amor, de gente reunida, de boas risadas, de choro junto, mão no ombro. Eu gosto de ser eu e ser o outro.. De entende-lo (ou pelo menos tentar) e oferecer o meu melhor. Mesmo que isso me faça sofrer…
Não consigo esquecer amigos que passaram que eu amei com todo meu coração e hoje não fazem mais parte do meu cotidiano. Não consigo passar por eles como se não fossem mais importantes pra mim, por mais que muitos ajam como se nem me conhecessem mais.
Não consigo esquecer todo o amor que eu já senti pelo outro. Mas esqueço todo o amor que eu sinto por mim mesma. E por isso eu sofro. Mas eu prefiro assim, não quero ser vencida pelo egoísmo… Quero que o meu amor vença o mundo, que a empatia reine soberana…pra ser uma médica melhor, pra ser uma pessoa melhor. Pra aprender a sofrer menos, dar sem receber.

Que o meu amor me proteja de mim mesma.