“Você não sabe o quanto caminhei…”

Um dia depois da segunda fase da FUVEST e aqui estou eu fazendo o balanço do ano. Por mais exagerado que pareça ser, a impressão que eu tenho é que 2015 começou agora e meu réveillon foi ontem assim que eu saí do local de prova. Finalmente posso dizer que estou de férias! F-É-R-I-A-S! Como eu esperei por esse momento!! Foram 11 meses de muito esforço, muito mesmo! Aulas atrás de aulas, simulados atrás de simulados e aqui estou eu! Pensando no que fazer das horas vagas!

Nos dias que antecederam as provas eu fiquei muito nervosa e comecei a buscar algumas técnicas de relaxamento e respiração para não sofrer tanto. Num desses dias me ocorreu um pensamento que eu achei válido compartilhar com vocês! Criei a “metáfora da porta”, bizarro, eu sei, mas me ajudou o dominar o nervosismo. Pensei que se todos nós recebêssemos a missão de construir uma porta, mesmo sem nunca ter pegado em um talhe de madeira, o que você faria? Pra começar, no minimo, estudaria como se faz uma porta, qual o melhor tipo de madeira, as dimensões, enfim. O segundo momento seria a prática, achar a madeira, os parafusos, os encaixes, a maçaneta, etc. Num universo de sei la quantas mil pessoas construindo portas, evidentemente, a chance de uma porta sair igual a outra é pequena pois cada um tem um jeito diferente de trabalhar. Eu posso querer enfeitar a minha porta, colocar olho mágico, maçaneta de ouro e talhar as minhas iniciais na frente. Meu amigo pode fazer uma porta simples, uma tábua de madeira, maçaneta comum e só. No final das contas todas elas tem a mesma função: abrir, permitir a passagem para um outro lugar. Assim é o vestibular, ou pelo menos foi assim que eu encarei essas ultimas provas… elas eram apenas as portas da universidade. Mesmo sabendo que pessoas tirariam melhores notas do que eu ou enfeitariam melhor a porta do que a minha, eu só precisava construir a porta adequada que cumprisse bem o papel de abrir meus caminhos. Obviamente que agora eu tenho que esperar até o dia 31 pra saber se serviu, mas me tranquiliza o fato de saber que eu dei o meu melhor durante o ano inteiro, todos os dias. Mesmo nos momentos de maior cansaço, a minha esperança me deu voz.

Agora é rezar e esperar que de fato essas portas se abram. Uma coisa é fato, na busca pela medicina, eu nunca cheguei tão longe quanto esse ano. Primeira vez que eu vou pra segunda fase da FUVEST, primeira vez que eu exergo tudo com tanta clareza, maturidade, paciência e determinação. Foi preciso caminhar muito e estudar muito bem como se constrói uma porta.

Enquanto isso eu decido se pinto minha unha, se cuido das minhas olheiras ou se fico de papo pro ar. Dúvida difícil!